A história que vou contar é real, foi contada pelo protagonista, mas eu não vou me ater aos detalhes e vou usar apenas as iniciais para preservar a identidade das pessoas envolvidas.
Por volta de 1973, JC ( nenhuma alusão a Jesus Cristo ) que ficara paraplégico alguns anos antes em um acidente estava muito empolgado com uma excursão que seus amigos iriam fazer e ele acompanharia com fusquinha recém-adaptado.
- Eu vou com você – disse N, um amigo tetraplégico, com os movimentos que se limitavam à boca.
Lá foram eles, tentando seguir o ônibus, muito mais potente que o fusquinha que ia ficando para trás. Na ânsia de não perder de vista o ônibus JC acelerava nas curvas da estrada de Santos enquanto N, que só mexia a boca, preso apenas pelo cinto de segurança, que naquela época não era de três pontos, caia de um lado para o outro e era equilibrado por JC, até a primeira freada mais brusca e pronto, lá vai N com a cara no painel. JC parou, arrumou o amigo e continuou a viagem até outra freada brusca e outra queda vez lá estava N com a cara no painel. JC para, pega uma faixa no porta luvas, amarra N pelo peito ao banco. Dá certo, isto é, mais ou menos, mas, com um pouco de atraso eles conseguem concluir a viagem. Encontram o pessoal do ônibus e depois de contar as aventuras, aproveitam o dia. Na hora de ir embora, JR ( nehuma alusão ao Júnior ) que não tinha as duas pernas, se oferece para ir no carro ajudando os amigos. Ajuda aceita, lá vão eles, JC o paraplégico ao volante, N o tetraplégico no banco do passageiro e JR o sem pernas no banco de trás, segurando ora os ombros, ora a cabeça de N.
O retorno ia bem, até que o trio é parado em uma blitz da Polícia Rodoviária. Quando o oficial se aproxima para pedir os documentos, vê aquela parafernalha no carro adaptado e surpreende-se:
- O que é isso?
- É um carro adaptado. Sou paraplégico, não mexo as pernas – respondeu JC.
- Rapaz, você é louco? Você não pode dirigir essa coisa por aí!
- É um carro adaptado, não se preocupe.
- Impossível! Passa o volante pro rapaz aí do lado!
- Não dá, ele é tetraplégico, só mexe a boca.
- Ah, mas o senhor não pode dirigir, então passa o cidadão aí de trás para frente...
- Esse aí é pior ainda, ele não tem as pernas. O policial confere, certifica-se e sai desconcertado para falar com o superior.
Ele reporta a situação ao superior que dá a seguinte ordem:
- Manda embora e não fala pra ninguém, pois ninguém vai acreditar mesmo!
PRIMEIRA AUTORAL DO 93 FOUNDATION
Há 10 anos

